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Nheengatu, o Tupi Moderno:

A VERDADEIRA LÍNGUA DO BRASIL.
A LÍNGUA GERAL BRASILEIRA QUE SOBREVIVEU AOS TEMPOS.

Ka'a asé mono'ong! (A selva nos une)

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Escute aqui "Raízes Caboclas"

O TUPI NA GEOGRAFIA NACIONAL: O CASO DO MARANHÃO

*Vista da cidade de São Gabriel da Cachoeira-AM no alto rio negro, onde o nheengatu, baniwa e tucano foram oficializados.

A língua geral pertence à família linguística tupi-guarani, do vasto tronco tupi, que abrange várias outras línguas mais afastadas, como o mundurucu ou maué, segundo o Prof. Aryon Rodrigues. Como seu nome em português está dizendo, a língua geral, além de ser denominada "nheengatu", "a boa língua", foi uma língua usada de uma maneira geral no Brasil, desde os séculos passados.

No início da conquista, do litoral paulista ao gaúcho até Pernambuco, Maranhão e Pará, os portugueses estiveram em contato com os índios Tupinambás, Tupiniquins, Tupinães ou Carijós, todos falando dialetos de uma mesma língua ou línguas bem próximas.

Os Portugueses pensaram que era uma língua só, a "mais usada na costa do Brasil"(Padre José de Anchieta, 1587), e, também, pensaram que era a língua do Brasil inteiro, e lhe deram o nome de "Língua Brasílica" ou "Língua Brasileira"(Padre Pedro de Castilho, 1610).

De uma maneira quase natural, foi escolhida pelos missionários como língua de catequese, uma língua tupi-guarani, aquela dos Tupinambás; mas, desde o início, os padres decidiram unificar todos os dialetos e todas as línguas tupi, numa língua única, e introduzir nela todos os assuntos novos, desconhecidos dos índios, em relação à tarefa de catequese ou da colonização.

Essa introdução compacta de palavras foi feita por empréstimo ao português (ex: L.G kuruça vem do P. "cruz"), por criação metafórica (ex: L.G Kariua ueué = "homem branco voador", quer dizer "anjo"), ou por desvio de sentido (ex: L.G Tupã, um mau espírito do Panteão dos índios foi desviado do seu sentido antigo, "trovão" por designar o Deus dos cristãos, o vazio lugar recebendo a palavra portuguesa trovã).

Também, os missionários estabeleceram dicionários e gramáticas dessa "língua brasileira" a fim de traduzir a Bíblia e compor catecismo. Neste caso, as sintaxes das línguas indígenas evidentemente afastadas daquelas línguas latina e grega, com as quais os missionários estavam familiarizados, pareciam pobres e estranhas. Por esta razão, eliminando os traços mais diferentes, eles "civilizaram a língua"(Padre João de Azpilauta, 1553).

Ao final, foi criada uma língua franca, mas tem que ser lembrado que esta língua jamais foi a língua própria de um povo livre antes da Conquista. Ao contrário, foi falada à força por milhares de índios, sejam do tronco tupi, caribe, aruaque, tucano, gê ou pano, agrupados nas aldeias de repartição ou trabalhando nas fazendas.

Pouco a pouco, impõe-se a língua geral que todos falavam: índios mamelucos, brancos e até os escravos negros, pois era a única maneira de comunicar. Mais tarde, são os missionários e os bandeirantes que a espalharam em todos os cantos do país, inclusive nas regiões onde nunca tivessem índios tupi-guarani.

Essa "tupinização", além de ser espontânea ou forçada, se tornou legalizada com a Carta Régia de 30 de novembro de 1689: A língua geral era daqui em diante a língua oficial da Amazônia e devia ser ensinada pelos padres até aos próprios filhos dos colonos portugueses. Naquela época, a língua geral era quase a língua do Brasil.

É justamente essa expansão que será o motivo principal da sua queda. O prof. José R. Bessa Freire escreve: "O sucesso dela foi tão grande que ultrapassou os limites admissíveis pela Coroa Portuguesa, porque começou a afetar a função da própria língua portuguesa, ameaçando o seu destino na região".

Com a lei do 17 de Agosto de 1758, o Marquês de Pombal, ministro do Rei de Portugal, impediu o uso da língua geral, e no mesmo dia, de todas as línguas indígenas.

É justamente na época pombalina que a língua geral amazônica, nascida no Maranhão e no Pará, atingiu sua extensão máxima na Amazônia, falada do Maranhão até a fronteira com o Peru.

Podemos datar sua introdução no Rio Negro nas cercanias de 1740, pois ainda não era falada em 1720, na época da revolta de Ajuricaba, onde só a língua manao era empregada, a língua geral foi encontrada em 1752 pelo viajante Wallace, falada por alguns tucanos nas aldeias deles, antes de ser em 1770, a língua que o Ouvidor Sampaio ouviu nas ruas de Barcelos.

Talvez é a partir desse momento que ela se tornou uma língua materna como todas as outras, falada pelos caboclos. Talvez também é a partir daquela época que ela emprestou palavras às outras línguas indígenas.

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