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Reserva Biológica do Gurupi

"UM SANTUÁRIO AMAZÔNICO"

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Escute aqui um trecho do Bicho Terra

Reportagem em pdf sobre os "Mocambos (populações descendentes de quilombolas) do Gurupi


Ararajuba (Aratinga Guarouba), considerada ave símbolo do Brasil por suas cores verde e amarelo, é uma espécie ameaçada de extinção encontrada na Amazônia Maranhense.

Listagem preliminar das especies de aves e mamíferos encontrados na Amazônia Maranhense (em pdf)

Exemplares de mamíferos encontrados na Amazônia Maranhense

*contribuição de Tadeu Gomes de Oliveira e Rafael Gerude, ambos biólogos maranhenses.

O Estado do Maranhão, localizado em uma posição geográfica privilegiada, apresenta diversas paisagens naturais: Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Mata dos Cocais, Vegetação Litorânea, Restingas e Dunas. Apenas a porção amazônica do Maranhão ocupa cerca de 31% do Estado e encontra-se com os piores índices de desmatamento de toda Amazônia Legal brasileira. Este Estado é o que apresenta maior densidade populacional da Amazônia, por apresentar distribuição espacial desigual e concentrada no centro-norte, o que tem levado ao estado precário da vegetação natural original. Infelizmente, as áreas com bom nível de conservação são relativamente raras, estando restritas a partes da Reserva Biológica do Gurupi e das Reservas Indígenas adjacentes.

A Reserva Biológica do Gurupi é uma das últimas áreas remanescentes da Floresta Amazônica maranhense. Apesar de bastante degradada em algumas áreas, seu interior encontra-se bastante preservado devido suas características topográficas, indicando que a mesma possa estar abrigando um grande número de espécies vegetais e animais. Estudos com plantas, borboletas e aves classificam esta Reserva como um dos 16 refúgios pleistocênicos da Amazônia brasileira, ou seja, áreas com grande número de espécies restritas a ela. Especula-se que para os mamíferos, ela se comporte de forma semelhante, uma vez que ela é o único hábitat de uma espécie de primata - Cairara ka'apor (Cebus kaapori) e a única Reserva que protege outras duas - Cuxiú (Chiropotes satanas satanas) e Bugio (Alouatta belzebul belzebul). Com uma grande riqueza de madeiras de lei e outras espécies florestais vulneráveis, a Reserva assume um importante papel para a manutenção da diversidade da flora local e nacional. Da mesma forma que é um grande atrativo para a indústria madeireira, já que a Reserva é uma das, se não a última fonte de madeira neste bioma.Em 1986, ainda como Reserva Florestal, a ocupação da área chegava a 47,1% do total (7.884,54km2). Vários fatores contribuíram para invasão de terras protegidas, entre eles a extração de madeira na região, a instalação de projetos de colonização (como a COLONE) e os incentivos à agropecuária. Mesmo localizada numa área de difícil acesso, apresenta situação precária, predominantemente pelo grande atrativo que exerce para atividades madeireiras. A Rebio Gurupi, juntamente com as áreas indígenas são uma das (senão a) última fonte de recurso madeireiro. Segundo a "Operação Pau-Brasil" da Polícia Federal, realizada em agosto de 2001, na região conhecida como Araçatiua, cerca de 3 mil pessoas habitavam o local, tendo como principal atividade econômica a EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA. Em apenas cinco serrarias localizadas dentro da Rebio foram apreendidas em estado bruto 2.233 toras e 922m3 de madeira beneficiada. Estas, segundo cálculos baseados em cartilhas do IBAMA, representariam R$ 1.357.891,00 (um milhão trezentos e cinqüenta e sete mil oitocentos e noventa e um reais), enquanto o valor das máquinas e equipamentos destas cinco serrarias estaria em R$ 1.282.302,00 (um milhão duzentos e oitenta e dois mil trezentos e dois reais). Isto representaria 89ha, ou uma estrada de 535km de comprimento e 4,5m de largura. Além desta problemática, a presença de fazendas de criação de gado constitui outra ameaça à Reserva (não apenas bovino, mas também bubalino), com cerca de 5.000 cabeças, além de uma grande quantidade de animais domésticos. Estes representam uma séria ameaça às populações de animais silvestres, pois são assintomáticos para muitas doenças fatais como parvoviroses. Por exemplo, as seis espécies de felinos silvestres encontradas (todas consideradas ameaçadas de extinção), o cachorro-do-mato (também ameaçado e naturalmente raro), além da raposa são altamente suscetíveis, podendo ter suas populações dizimadas por estas zoonoses.

A Reserva Biológica do Gurupi é de fundamental importância para o ecossistema Amazônico, pois a Floresta Amazônica não é um hábitat homogêneo. Apesar de contínuo, a floresta apresenta particularidades ao longo de sua extensão, fazendo de cada região, uma área particular. A falta de uma estrutura local, com um mínimo de pessoal treinado, com poder policial e/ou fiscalizatório, contribui de forma direta para a presença de caçadores, madeireiros e posseiros dentro da Reserva Biológica como das Terras Indígenas, sendo assim, a implementação de postos fiscais nas vias de acesso à Reserva seria necessária, bem como operações constantes do Batalhão Florestal. Outro fator fundamental para a efetiva proteção da Rebio, seria a integração com Universidades e ONGs, visando, não apenas a pesquisa da fauna, flora e aspectos abióticos locais, mas também como mais uma forma de recuperação das áreas degradadas.
Esta Rebio é a única unidade de conservação desta categoria em área amazônica a Leste do Rio Xingu, fazendo com que assuma extrema importância para a conservação ambiental no Estado do Maranhão. Cita-se a ocorrência de 21 espécies de aves consideradas vulneráveis, dentre a quais, insere-se a Ararajuba (Aratinga guarouba), ave símbolo do Brasil, inserida na lista de aves ameaçadas de extinção, e 14 espécies de mamíferos, também ameaçados de extinção na Reserva.

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