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Cultura Popular Maranhense

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Escute aqui um trecho do Samba-enredo da Favela do Samba

UMA EXPLOSAO DE RITMOS, CORES, BELEZAS, SABORES, MISTÉRIOS..

..E SOBRETUDO MUITA
ALEGRIA!


India do Bumba-Meu-Boi Brilho da Ilha, de Sao Luís

A seguir uma breve descriçao das principais manifestaçoes da variada cultura popular maranhense, extraídos do cd-rom "Ilha de Sao Luís", com énfase na cultura popular ludovicense:


"Amazônia e Nordeste se unem para criar um instante único e brasileiríssimo de cores, ritmos, sabores, belezas e muita alegria"

O Maranhao é um híbrido cultural norte-nordeste com predominância do norte como podemos observar no seu artesanato, folclore, costumes, lendas e mitos, música popular, na marcante influencia índigena e negra e na sua culinária. O núcleu de formaçao das mais típicas, vivas, ricas, originais e autenticas manifestaçoes da nossa cultura popular compoe-se da regiao formada por Sao Luís e Golfao Maranhense, litoral ocidental, Baixada Maranhense e os vales dos rios Pindaré, Mearim e Itapecuru; todos, com exceçao do Itapecuru (pré-amazônia), inseridos no domínio Amazônico. O Bumba-meu-boi, com certeza o maior representante da formaçao do nosso povo e da nossa cultura, distancia-se de suas origens, no sertao nordestino, para ganhar uma feiçao própria com características nitidamente amazônicas, onde se sobresai a forte influencia indígena (timbira e tupi) nos ritmos (como nos sotaques de Pindaré, Costa de Mao e Matraca), na indumentária e na dança em forma de passos ritmados e repetitivos, além da contribuiçao marcante do negro na musicalidade, nos instrumentos e na sensualidade da dança e do branco portugues em alguns instrumentos (sotaque de orquestra) e em parte da indumentária, constituindo o folguedo que melhor representa a formaçao do povo brasileiro. O bumba meu boi maranhense também foi o embriao da formaçao do boi-bumbá nortista. Muitas sao as semelhanças entre os dois como o bailado (dois pra lá dois pra cá), a presença do elemento indígena (índias, índios e caboclos), muitos termos como "vaqueiros, o contrário, o amo do boi, a morte do boi, etc", as matracas (palminhas), a utilizaçao de muitas plumas e o próprio auto (lenda) do folguedo; também a brindadeira maranhense é tradicionalmente realizada em junho (deixando o forró e as quadrilhas em segundo plano) e no período que antecede a junho, como no norte, enquanto o bumba meu boi tipicamente nordestino é uma brindadeira carnavalesca, como em Pernambuco. O boi-bumbá de Parintins, no Amazonas, surgiu de migrantes maranhenses; lá eles tentaram reproduzir o som das toadas, mas como nao dispunham dos intrumentos típicos do bumba meu boi, utilizaram os do samba e de outros ritmos brasileiros, criando as toadas de boi-bumbá de um só sotaque com um ritmo próprio e cadenciado (em detrimento dos 5 principais sotaques, ou ritmos, maranhenses). Hoje Parintins faz do seu folclore um grande espetáculo que ganhou feiçoes próprias e enaltece a cultura indígena e amazônica, distanciando-se do típico folguedo de rua (Cabe aqui ressaltar que o boi maranhense caminha na mesma direçao, a do espetáculo). O próprio carimbó, dança tida como típica do Pará, diz-se que surgiu entre pescadores negros, mulatos, caboclos e cafuzos maranhenses habitantes das reentrâncias (litoral ocidental), que depois emigraram para o Pará e lá a dança e o ritmo enraizou-se na cultura local. O tambor de Mina, religiao afro-maranhense ligada as tradiçoes jejes e nagôs, que também se enraizou no Pará, constitui-se hoje a principal religiao afro-brasileira amazônica. Como se nao bastasse, as influencias do próximo Caribe sempre foram fortes no litoral amazônico e o Maranhao compoe com o Pará e o Amapá uma espécie de "Caribe Brasileiro", sendo que o Maranhao adotou principalmente o reggae, o Pará, merengues e cúmbias e o Amapá, o zouk. (veja também "O Caribe Brasileiro")

Como se ve a cultura maranhense é um híbrido norte-nordeste com feiçoes próprias. Principalmente norte, porque o Maranhao é predominantemente amazônico e Sao luís foi a primeira fundaçao e ocupaçao européia na tórrida e úmida regiao equatorial, base para a conquista do vale amazônico, daí a "França Equinocial" dos franceses. Com o passar dos anos, milhares de nordestinos foragidos da seca em busca de terras mais promissoras ocuparam o Maranhao e o vale amazônico(vale do rio Amazonas) do Amazonas, Pará e Acre, fundando inúmeras cidades e povoaçoes. Trouxeram cultura, música e tradiçoes dos sertoes baiano, pernambucano e cearense, formando uma espécie de "mix nordestino" e um "caldeirao cultural" com a populaçao local (em sua maior parte ribeirinha) e "nordestinizando" o Maranhao; (é bem notória a influencia nordestina na cultura popular amazônica em geral). No vale amazônico os nordestinos dedicaram-se mais a produçao da borracha enquanto que no Maranhao ocuparam-se sobretudo da agricultura e pecuária de subsistencia, do extrativismo vegetal e do comércio. Muitos também tiveram sua "prova de fogo" ao conseguir sobreviver nas matas maranhenses e depois seguiram, juntamente com maranhenses, para o desconhecido vale amazônico em busca das riquezas minerais e dos seringais. Ainda hoje o Maranhao é o estado com a maior populaçao rural do país e a isso deve-se, em grande parte pela imensa ocupaçao concentrada no centro-norte do Estado, a devastaçao de grande parte da floresta amazônica maranhense; o Estado hoje é o mais populoso de toda a Amazônia e também o mais devastado. Entretanto, é necessário que deixemos de chamar de "Pré-Amazônia" o que na verdade é Amazônia, em sua maior parte fragmentada, devastada e substituída por formaçoes florestais em diversas sucessoes, mas é Amazônia; enquanto que a Pré-Amazônia é toda a regiao próxima a fronteira com o Piauí (transiçao da caatinga para a Amazônia) e a de transiçao para os cerrados do sul-maranhense. Por muito tempo o mapa político do Brasil inseria o Maranhao na regiao "Meio-Norte"; hoje é Nordeste, mas é preciso que nós, maranhenses, reconheçamos que, além de possuirmos o elemento nordestino forte na nossa cultura (vide p. ex. Joao do Vale e Catulo da Paixao Cearense), somos também em grande parte essencialmente amazônidas, na forma e no conteúdo, no corpo e na alma, na cultura e no coraçao; caboclos, ribeirinhos e sertanejos, mulatos e cafuzos. Brasileiros da Amazônia.

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